sexta-feira, 10 de abril de 2009

Insurreições

Insurreições é o nome que usaremos para ataques de mortos-vivos. As insurreições têm sido observadas desde o início da humanidade e variando enormemente em número de mortos-vivos, vítimas humanas, reação das autoridades, quanto a mídia consegue cobrir, duração, entre outros fatores. Basicamente, temos quatro níveis – ou tipos – de insurreição.


Insurreição nível um - existem poucos mortos-vivos, talvez apenas um. Seu número não ultrapassa vinte. Atacam várias pessoas, comendo umas poucas pessoas e infectando muitas, que fogem e que podem recomeçar o ciclo se esconderem-se em casa até a morte. Espalham-se pouco, pois são notados, combatidos e exterminados com relativa facilidade. A imprensa em geral não dará importância. Normalmente ocorre em locais aonde não há hospitais, como em cidades do interior ou países muito pobres, pois os doentes levados a um hospital podem infectar muitas pessoas, o que nos leva ao próximo nível.


Insurreições de tipo um acontecem todos os anos, sendo as mais comuns. Normalmente não noticiadas, chegam aos ouvidos dos que buscam a verdade através de pesquisa meticulosa.


Insurreição nível dois - Vários zumbis, não menos de vinte, espalham-se em uma área sem controle imediato, espalhando a praga. O número de vítimas é alto e a quantidade de monstros cresce. Vários infectados são socorridos por parentes e seguem para hospitais, aonde farão tudo, menos exterminá-los. Os médicos se recusarão a aceitar os cadáveres reanimados pelo que são até ser tarde demais. Muitos serão infectados dentro dos hospitais, que serão os novos focos da praga. Pode-se esperar por volta de cem zumbis e mais que o triplo de vítimas. A imprensa será notificara e correrá ou local, mas se a verdade for descoberta, será abafada e logo desmentida. Forças especiais da polícia ou exército regular irão acabar com a praga, talvez mais rápido do que acontece nos casos de insurreição de nível dois. Pior que isso, só o que aconteceria no nível três.


Insurreições de nível dois ocorrem com menor freqüência. Procure por notícias de ataques violentos e bizarros, onde não ficou clara a natureza do ataque ou os motivos de tal ato. Qualquer história de canibalismo merece atenção, assim como assassinato de um grupo com tiros na cabeça.


Insurreição nível três - Alguma coisa acontece e os mortos se espalham demais antes de serem combatidos. Os motivos podem ser simples: no caso de os hospitais não darem alarme, os novos infectados que não apresentarem sintomas levarão um dia inteiro para morrer e daí serem reanimados como um membro das hordas balouçantes, retornando pra casa ainda vivos e atacando suas famílias no meio da noite, por exemplo. Neste cenário, uma cidade inteira pode ser tomada de assalto em menos de uma semana, com poucos sobreviventes trancados e cercados, a maioria despreparada, com comida e água acabando. Muitas centenas ou mesmo alguns milhares de mortos-vivos espalham-se por todos os lados e acumulam-se aonde quer que haja sobreviventes, impossibilitando a fuga. Grande parte dos moradores foge da cidade quando a praga torna-se evidente, o que reduz as perdas humanas para menos de cem mil, mas que pode significar gente infecta carregando o Solanum para a próxima cidade, num outro hospital. O exército será convocado, mas levará meses até que se tenha certeza de que o último zumbi foi destruído, uma vez que várias pessoas serão completamente devoradas e cada desaparecido, além de cada possível esconderijo, precisará ser checado para se ter uma segurança relativa. Será impossível esconder isso da imprensa


Só aconteceu um único ataque dessa magnitude, mas como aconteceu no meio do deserto, há mais de um século e envolvendo um forte ocupado pela Legião Estrangeira, essa história foi efetivamente ocultada do público em geral.


Insurreição nível quatro - O mundo foi tomado por mortos-vivos. Ao contrário do que os filmes mostram, seria muito difícil isso se tornar realidade, pois uma doença que passa através do contato e mata seu hospedeiro em menos de dois dias não seria carregada para todos os continentes. O mal da vaca-louca nos mostrou fronteiras internacionais fechadas da noite pro dia. Mas pode acontecer de alguma maneira impensável. Talvez pessoas infectas e com muito dinheiro carreguem a praga em seus jatos particulares durante a fuga. Talvez várias insurreições aconteçam ao mesmo tempo ao redor do mundo, de início tomando pequenos locais sem que se perceba. Talvez sejam postas em andamento guerras biológicas aonde o Solanum seja o patógeno principal. Talvez o próprio Solanum sofra mutações, uma vez que é um vírus, de maneira que se espalhe mais rápido.


O fato é que, por mais difícil que pareça, pode acontecer. Se você e seu grupo estiverem preparados para este nível de insurreição, pode esperar sobreviver a quaisquer um dos outros. Nunca se está seguro demais.

quinta-feira, 9 de abril de 2009


Este conto eu escrevi aos trinta anos e publiquei em um Sucupiras que havia antes deste. É baseado em um jogo de RPG que rolou numa tarde de domingo, na casa da Mamma, aonde só jogaram amigos, amiga e o Irmão Rômulo. Está coalhado de erros de português, mas preferi não mexer no texto. Tudo aqui é puramente fictício, exceto o Mal, a degradação humana e uma outra coisa.


A Casa de Chá


Neste final de semana eu fui buscar uma caixa com um doutor nazista que era especialista em criptozoologia e microbiologia. Este estava em uma ilha de formação vulcânica, cujos habitantes eram pescadores xenófobos e chatos. Consegui ir parar lá com ajuda de uma agência não governamental que sabe uns podres meus e de alguns colegas que me foram apresentados naquele mesmo dia.


Um era homem branco, um metro e oitenta, ex-fuzileiro e iria ser nosso guarda-costas. Outro era um negro faz-tudo fortão, que conhecia alguma coisa sobre o homem que iríamos encontrar. Havia ainda uma mulher, não sei bem o que ela fazia lá. Eu era o especialista em monstros e magia em geral. Eu não sou um mago, isso é um erro comum, eu só reconheço a magia quando eu vejo, sei o que faz se for relativamente comum e o que eu posso fazer para evitar o pior, também não tive um monstro de estimação e o único monstro que vi até então me traumatizou profundamente. Eu sou um nerd de 42 anos!


Chegamos na tal ilhota e não vimos ninguém. Estava tudo silencioso e escuro, como se todos tivessem ido embora, mas eu não me preocupei com isso, porque estava chovendo como não chovia há anos e havíamos passado seis horas sendo jogados de um lado para outro em um barco pesqueiro para chegar até ali. Acho que esqueci de dizer também que sou preguiçoso e que disse para o negro, que tem o mesmo nome que eu - John - ser o líder da expedição, para que eu não tivesse de preencher a papelada que viria depois, mas sutilmente o comandava através de conselhos bem dados. Saímos debaixo de chuva assim que eu o convenci a arrebentar uma espécie de dispensa enorme, contígua à uma casa e depois de pô-lo para ficar de guarda, junto com o “fuzileiro”, fui dormir o sono dos justos, entre iscas de peixe e ratos.


Pela manhã chovia ainda mais que no dia anterior, se é que isso era possível, com direito a raios e trovões assustadores. Água, água e mais água. O outro John arrombou uma porta que levava para dentro da casa colada ao galpão de mantimentos para conversar com os moradores, logo após bater por uns cinco minutos inteiros e não obter respostas. Qualquer coisa, estávamos andando ainda com mil e seiscentos dólares que haviam sobrado dos dois mil que nos entregou a agência conhecida apenas por Casa de Chá.


Ninguém apareceu. Começamos a andar pela casa e os homens de ação sacaram seus revólveres. Cada um de nós recebeu uma Colt .45, com ordens de não atirar senão em caso de grande necessidade. Apesar de saber atirar muito bem, jamais atirei em nada além dos alvos nos campos de tiro e esperava que continuasse assim.


Eu não gosto de computadores. Sou mais antigo que os computadores pessoais e gosto de pesquisar em livro e desconfio da informação da Internet. Meu equipamento se resumia a papel, caneta, lanterna e arma. Fui eu quem lembrou de que carregávamos lanternas e acendi a coisa para ver por dentro da casa, que estava escura como o inferno. Ninguém aparecia, mesmo com o outro John chamando, chegamos em um quarto e o abrimos, nada, entramos, nada, iluminamos, nada. Nada exceto um cheiro de carne podre.


Andamos pelo aposento e todos se assustaram muito quando o outro John deu um tiro no chão. “O que?” perguntei. “Vocês viram isso?” foi a resposta.


- O que foi que você viu, caralho?

- Um zumbi!

- Um zumbi? Um zumbi de verdade? Cadê?

- Debaixo da mesa! Tentou comer minha bota


A sala era só bancadas, como uma oficina. Superexcitado com a descoberta, me afastei o mais que eu pude da bancada do zumbi para olhá-lo debaixo da mesa. A criatura estava imóvel, finalmente morta, mas aí outro zumbi veio da bancada mais próxima à minha e tentou se abraçar comigo. Mais do que depressa, meti o cano da Colt .45 na boca dele e explodi-lhe a cabeça. Nem me lembro como foi que a arma foi parar lá tão depressa, nunca me movi tão rápido, nem quando eu era menino. Mas aí foi a vez do cérebro trabalhar rápido: percebi que o barulho atrairia outros, já que o morto do outro John não era um caso isolado, que a vila estava desabitada porque seus habitantes sofreram a conversão maldita e que existem muitas maneiras de se produzir um zumbi, mas em grande quantidade só maldição ou vírus e daí lembrei que o bom doutor que iríamos encontrar era especialista em criptozoologia e em microbiologia.


- Temos de sair rápido daqui e sem barulho, mas mortos virão rápido para cá.

- Tem mais?

- Sim, com certeza. Somem dois mais dois: a agência trabalha com o oculto e nosso doutor é microbiólogo e criptozoólogo. Foi ele quem criou estas coisas, e por vírus.


Quando estávamos para sair, o outro John ouviu um gemido. De alguma maneira, ele sabia que não eram mortos e gritou que a ajuda já havia chegado. Depois de uns dez segundos, que pareceram uma eternidade, uma voz de garotinha deu graças à Deus e abriu a porta do quarto ao lado. Ela tinha um atiçador de lareira na mão.


A garota nos contou que a irmã disse que iria cuidar dos pais e lhe pediu que se trancasse até a ajuda voltar. Antes que algum bocudo começasse a falar, eu disse que o pessoal da vila já estava sendo evacuado, que é por isso que não havia ninguém.


Mas o pior estava por vir. O outro John, sempre ele, decidiu dar uma de chefinho e não ouviu o meu conselho de sacar fora de lá. Simplesmente não estávamos equipados para uma empreitada como essa, eu disse, sou o especialista, eu disse, mas não quiseram me ouvir. E ainda iríamos levar a garotinha conosco montanha acima.


Acho que não mencionei, mas há uma pequena montanha no centro da ilha e o nosso bom doutor ficava lá no topo. A montanha é cercada por uma floresta de coníferas e tem uma estrada de barro, pouco mais larga que um carro, circundando ela. Como o monte era muito pouco íngreme, não havia paredões de lado algum da estrada, o que poderia significar ataques por todos os lados.


O nosso ex-fuzileiro não era de falar muito, mas manjava de mecânica. Logo ele arrumou um carro para todo o tipo de terreno, devidamente fechado, para nos levar até lá em cima. Arrumou como pôde o motor que engasgava debaixo de uma chuva colossal e nos mandamos dali. Até que eu me sentia seguro, mas no meio do caminho o carro enguiçou de vez.


O mecânico deu uma olhada e chegou à seguinte conclusão: poderíamos resolver, mas levaria uma hora e estaríamos desprotegidos e sem visão clara do inimigo. Fiquei muito nervoso e disse que não havia o que pensarmos, que teríamos de ir embora naquele instante e o pessoal começou a me seguir novamente, ainda que inconscientes da minha liderança, mas aí aconteceu algo terrível. A imbecil da garotinha avistou a irmã e começou a gritar e a correr na sua direção. A irmã não tinha um braço e qualquer expressão de reconhecimento no olhar, mas andava em direção à pequena assim mesmo.


Tudo aconteceu muito rápido. O ex-fuzileiro atirou na testa da garota-zumbi e a sua irmãzinha gritou como se houvessem lhe amputado um pé. Imediatamente, percebemos um grande número de monstros vindo em nossa direção, por todos os lados, e o carro não era lugar para a gente se esconder. Teríamos de lutar, e meus colegas começaram a disparar no tronco dos mortos, que não se detinham, enquanto em gritava “é na cabeça, bando de filhos da puta!”, mas errava o meu disparo. O pior é que o meu xará John parecia que iria surtar com toda a loucura, o ex-fuzileiro tentava alguma coisa enquanto que a nossa colega de equipe corria atrás da menina, que desapareceu entre as árvores. Eu ajudei o único que estava fazendo alguma coisa direito a abrir caminho à bala e corri entre os cadáveres ambulantes, mas meu colega ficou para trás, tentando soltar o outro John, que estava sendo agarrado por três daqueles desgraçados podres. Eu me detive um instante e disse “parem de fazer barulho e corram por aqui”.


A mulher desapareceu atrás da menina, o nosso homem de armas se viu cercado com as balas acabando, John foi mordido no braço e eu tinha apenas um perseguidor, mas este era diferente, pois corria tanto quanto eu, que me cansava rápido. O terreno era uma merda e o barro estava muito fofo e escorregadio por causa da porra da chuva, que não parava por nada. Os raios eram tão barulhentos que a gente não ouvia nada e quase que não dava para perceber os disparos das armas. Eu estava gritando mais uma vez “corram” quando o monstro tropeçou e se pendurou na minha cintura, me mordendo imediatamente na altura das costelas. Explodi a cabeça dele, mas já ciente de que estava contaminado. Não me permiti nem por um instante pensar em como seria a não-vida de um cadáver ambulante e faminto, com a firme convicção de que o bom doutor deveria ter algum antídoto lá em cima do monte. Ou ele me curava ou iria morrer, o miserável.


Não sei bem como foi que aconteceu isto, mas o fato é que meus companheiros me alcançaram. A mulher voltou com a garotinha e o nosso guarda-costas havia decepado a própria mão para evitar a infecção. Eu faria o mesmo, mas fui mordido nas costelas. Foi então que entramos, dominamos o nazista que entre outras coisas era médico e começamos a tratar de nossas feridas. A mulher entendia algo de medicina.


Depois de ser desarmado e contido por meus colegas, ouvimos a história do bom doutor. Este era um “desertor” da Casa de Chá que afirmava haver grupos rivais em conflito dentro da organização. Uma das facções o obrigou a criar uma arma biológica, um vírus, que anima os mortos e que passam a ser os transmissores da doença. O primeiro experimento havia acontecido em uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos e o único sobrevivente havia sido, vejam só, o outro John, que sobreviveu comendo carne humana durante um mês, coisa que foi veementemente negada por nosso agente. Ele disse ainda que foi a facção separatista que nos enviara atrás dos documentos sobre como criar seus vírus, pois apenas estes sabiam de sua existência, mas eu não acreditei em uma só palavra. Para mim o mais importante era que o antídoto estava além do alcance, em um barco no cais.


Como o relevo é inclinado e os mortos não têm coordenação decente, sua tendência é a de descerem o monte e de ficarem na área do sopé do monte e dentro das casas, mas com todo o barulho que fizemos, eles estariam tentando subir o monte agora mesmo. Se tentássemos descer até o barco, teríamos de lutar com uns cinqüenta deles que já estavam na porta da frente da casa, batendo, com o clima ruim e com a estrada péssima até chegar na cidade, encontrando o resto dos antigos habitantes da vila no caminho.


Fiquei profundamente abatido e nem minha arma eu tinha mais para fazer alguma coisa a respeito. Comecei a dizer, meio que de mim para mim, que tudo o que estudei não servia para nada, não construí nada e nem escrevi um livro. Todo o conhecimento simplesmente se acabaria comigo. Voltei-me para o doutor e lhe pedi que me dissesse tudo o que poderia falar a respeito dos mortos. Eu queria aprender. E ele me contou alguns fatos, como quem atende a um moribundo.


Havia um carro na garagem, mas era um carro antigo que não passaria nem pelo “pessoal” que estava no quintal. Daí eu joguei tudo pro ar e tive uma idéia própria de quem já aceitou a morte.


Eu iria tentar atrair os mortos para longe da casa, saindo por onde não fosse visto para então atirar chamando toda a atenção possível. Com sorte, os mortos de afastariam da casa o suficiente para que eles fugissem no carro até o cais e daí para o barco, com antídotos e o mar à frente. Eu seria destroçado muito rapidamente, não tinha medo da dor, além disso esperar para me tornar uma daquelas coisas não estava nos meus planos. De qualquer maneira eu iria morrer, já era certo.


Algo aconteceu, não obstante. Os mortos preferiram correr por dentro da mata, deixando o caminho livre para o carro passar por mim e me pegar. Foi, simplesmente, um milagre. Depois fiquei sabendo que o soldadinho não queria que retornassem por mim, mas o fizeram, ainda que não parassem o carro por completo. Abriram uma porta e eu me joguei lá dentro.


Ao chegar no cais pela primeira vez reparamos em um barco de pesquisa, muito diferente dos pesqueiros locais. Fomos lá para dentro, demos partida no veículo e fomos medicados com o antivírus. O remédio doeu mais que a dentada do zumbi e a reação alérgica que se seguiu me deixou sem sentidos, mas melhorei.


O resto é história.

quarta-feira, 8 de abril de 2009


Aprendi uma coisa quando bem jovem ainda. Às vezes, é difícil de aceitar, mas o negócio é o seguinte: Quando somos jovens e temos saúde e tempo, não temos dinheiro. Quando amadurecemos temos saúde e dinheiro, mas não tempo. Quando velhos temos tempo e dinheiro, mas não saúde.


Sempre há um porém, mas a gente tem de fazer o que tem de fazer.


O texto abaixo é de autor desconhecido e me foi enviado pela amiga Talita. Publico hoje para desejar a todos os amigos e visitantes uma Semana Santa ótima e um final de semana feliz.


Domine a língua.

Diga sempre menos do que pensa.

Cultive uma voz baixa e suave.

O modo de falar impressiona mais do que aquilo que se diz.

Pense antes de fazer uma promessa.

E depois não a quebre, nem dê importância ao quanto lhe custa cumpri-la.

Nunca deixe passar uma oportunidade de dizer uma coisa meiga ou animadora a uma pessoa ou a respeito dela.

Tenha interesse pelos outros em suas ocupações, em seu estar, seu lar e família.

Seja sempre alegre com os que riem e lamente com os que choram.

Aja de tal maneira que as pessoas com quem se encontrar sintam que você lhes dispensa atenção e lhes dá importância.

Seja alegre.

Conserve para cima os cantos da boca.

Esconda suas dores, desapontamentos e inquietações, sob um sorriso.

Ria das histórias boas e aprenda a contá-las.

Conserve a mente aberta para todas as questões em discussão.

Investigue, mas não argumente com insistência.

É próprio das grandes mentalidades discordar e ainda conservar a amizade de quem pensa diferente.

Deixe as suas virtudes, se as tiver, falarem por si mesmas e recuse-se a falar das faltas e fraquezas dos outros.

Condene os murmúrios.

Estabeleça como regra falar só coisas boas sobre o próximo.

Tenha cuidado com os sentimentos dos outros. Gracejos e críticas não valem a pena e freqüentemente magoam, até quando menos se espera.

Não faça questão das observações más a seu respeito.

Tenha a consciência tranqüila e viva, de modo que ninguém acredite nelas.

Não seja excessivamente zeloso dos seus direitos. Antes, respeito aos alheios.

Trabalhe, tenha paciência, conserve-se sempre calmo.

Esqueça de si mesmo e receberá a recompensa.

Se você conseguir aplicar um pouco de tudo isso, considere-se um herói. Sempre que estiver de mal com a vida, leia esta mensagem. Há de lhe fazer muito bem.

terça-feira, 7 de abril de 2009



Eu estava absurdamente cansado, mas resolvi sair assim mesmo na sexta e sábado. Os motivos eram muitos: na sexta-feira os Hell’s Angels iriam abrir seu lugar ao público a R$ 5,00 meninos e de graça para as meninas com a banda The Cheeser’s, que toca tudo o que eu quero ouvir. Sábado a banda ainda sem nome do Brother Flávio iria tocar num aniversário regado a cerveja e rock&roll. E, claro, a Talita iria estar lá.

Sempre é bom quando a Talita está lá!

Aquilo que eu chama de bar dos Hell’s Angels era mais um clube: várias motos paradas do lado de fora, em fila. Lá dentro, mais motos, algumas circulando, devido ao tamanho do local. Havia uma mangueira gigantesca perto da porta principal. O lugar tinha área coberta e descoberta, bar de primeira, duas grandes mesas de bilhar novinhas, uma sala de quadros com fotos e insígnias de vários motociclistas ao redor do mundo cobrindo todas as paredes de baixo a cima, o som era variado – variado demais, até – e um monte de gente estranha e reservada, bem ao meu gosto.

Uma manga me moeu o ombro, mas eu não tava nem aí, pois estava com amigos e amigas. A principal delas sendo a Talita, que inclusive me carregou ao local no seu possante. Quando não estava pendurada na boca do seu namorado, estava agitando comigo e com o Falcon, um brother de lá da Sucupiras e verdadeiro irmão da Talita.

O namorado estava cansado, a irmã e a amiga desta se retiraram para um canto mais reservado. Infelizmente tivemos de sair depois de umas poucas músicas tocadas pela The Cheeser’s, que foi a segunda banda da noite, porque as meninas tinham mais o que fazer no dia seguinte, diferente deste vagabundo de final de semana que vos escreve...

Por mais cansado que estivesse, não fui dormir direto. Tinha a impressão de que estava faltando alguma coisa. Acho que devido ao local ser muito grande e ser o primeiro dia aberto ao público, tivemos um público pequeno. Eu gosto é de aglomeração, que nem mosca na carniça!

Dormi até perto das 11:30 horas, mas ainda estava cansado. A mente fatigada e o corpo lento. Depois de um belo café, que eu não almoço antes disso não importando a hora, fiquei bem-disposto. Fiz um rancho com o Irmão Rafael e fiquei de boa em casa até bem mais tarde. Era pra a Talita seguir o Flávio, mas ele passou um pouco antes dela e, como não podia esperar indefinidamente, ele se sou. Meia hora depois, chega a minha carona. Eram as meninas da sexta e eu.

Antes disso porém, um adendo: o Flávio havia me pedido para criar um nome pra a banda. Conversando com a Talita, esta sugeriu VIROSE (PORQUE O Flávio não só estava doente como também havia sido hospitalizado por causa disso na sexta-feira). Achei o nome agressivo, simples e direto, mas porque VIROSE?

É um troço que existe no mundo todo, mas em Manaus todo mundo conhece, já teve ou tem e não pára por causa dela, como acontece nos EUA, por exemplo.

O material genético dos vírus podem sofrer mutações e gerar grandes variedades a partir de um único tipo desses seres. Se a banda toca vários estilos com diversas influências, varia muito de intensidade e ainda está passando por modificações e trocando de pessoa pra pessoa VIROSE é algo ideal.

Se os médicos não sabem o que é, então é VIROSE.

VIROSE é considerada coisa de cidade grande.

Falta de hábitos saudáveis pode te deixar vulnerável. Se você bebe, fuma, dorme tarde e mal, come o que quer e quando quer e vive em locais cheios de gente, a VIROSE vai te pegar.

Até plantas são atacadas, mas VIROSE é mais conhecida como doença de gente.

Os vírus são muito antigos, mas o estudo da VIROSE é atual e recente.

Conseguimos chegar à festa e fui logo dizendo a idéia pro Flávio, indicando a pessoa que teve a idéia primordial. Ele disse que iria conversar com o resto da banda. Naquela noite, só a Talita gritava “AÊ, VIROOOSEEEEEE” para ver se o nome pegava.

Tocaram quatro bandas. A festa foi muito divertida, mesmo ficando restrita quase que exclusivamente ao sofá em frente ao palco, aonde nos sentamos e só levantávamos para buscar a cerveja ou para mijar. Parte do grupo tentou se dispersar, mas eu paguei x-salada e voltaram correndo.

Muitas outras coisas rolaram a nossa volta. Uma garota, macho pra caralho, tentou ver uma outra garota nua, sem sucesso. A primeira banda tocou quase que exclusivamente músicas próprias, o que não é fácil. A banda do Flávio, mesmo sem metade dos integrantes, com gente emprestada sem ensaio e com um fulano tentando sabotar, conseguiu levantar a galera. A última banda tinha uma vocalista pequenininha, mas que cantava Black Sabbath e Ozzy, falava difícil e era professora de Educação Física – vejam só – do meu filho mais novo Luan Henrique. Esta me reconheceu do ano passado, de quando eu ia por lá pelo SESC, aonde estudam meus meninos, e praticamente cantou pra gente que estava no sofá, uma vez que a festa acabava.

Claro que percebi a oportunidade de me imiscuir com aquele pessoal e bati papo com os integrantes das bandas e duas delas estão praticamente certas para o meu aniversário de trinta e dois anos. Falta eu arrumar caixas e uma bateria decente, mas tenho tempo, brothers e o Irmão Rômulo para ajudar, que ele faz aniversário no mesmo dia, vinte e um de agosto. Ganhei uma palheta do baixista desta última banda.

Até que a baderna acabou cedo, coisa de duas da manhã, mas não fiquei com aquela sensação de que faltava algo. Até porque, como eu disse, muita coisa aconteceu por lá e eu fiquei muito feliz, tanto pela companhia da Talita, que não desgrudou de mim, quanto por ser muito bem recebido em um local em que eu não conhecia praticamente ninguém e mesmo pela oportunidade de assistir ao show histórico da VIROSE, se é que o nome será este...

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Características de um morto-vivo

Quase todos nós já assistimos a um filme “de mortos-vivos”, subgênero de terror em que o cerne da história é que os mortos voltaram para se alimentar dos vivos. Aqueles que assistiram a alguns filmes desses têm uma noção do que é um morto-vivo, mas para se estar apto a combater este inimigo, se faz necessário conhecer suas fraquezas e pontos fortes.

Nesta obra vamos usar preferencialmente o termo morto-vivo para designar cadáveres humanos reanimados pelo vírus Solanum. Poderíamos usar muitos outros, mas este termo parece ser o mais popularmente conhecido e por esta razão prática será o mais usado. Entre outros termos encontrados na literatura consultada destaco zumbi, necrófilo, morto e cadáver ambulante. Um grupo de mortos-vivos também é conhecido por hordas balouçantes ou outro nome menos poético.

Mais uma vez: um morto-vivo nada mais é do que um cadáver reanimado por um vírus. Não há nenhuma força maligna envolvida e sua alma não será condenada no processo de reanimação. Como o cadáver ambulante foi anteriormente um ser humano infectado, vamos partir daí a nossa identificação do morto-vivo.

Nunca encoste em uma pessoa sangrando muito, ainda que se trate de um amigo querido. Seu amigo pode ter contraído previamente uma de inúmeras doenças infecto-contagiosas que se transmitem pelo sangue e basta uma pequena lesão na pele na área de contato para se infectar. Boa parte dessas doenças tem cura, algumas não e são mortais, tais como a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida e a infecção por Solanum.

Ao se deparar com uma pessoa sangrando muito, lembre-se sempre de que ela pode estar infectada e quase que certamente estará muito nervosa, podendo reagir violentamente. Com muito tato, peça para ver a ferida que está causando a hemorragia. Se observar marcas de mordida, cuidado, pois pode se tratar de ataque de morto-vivo.

A mordida de um morto-vivo deixa sinais reconhecíveis. Se um pedaço da carne foi arrancada, com tendões inclusive, quase que imediatamente se pode excluir ataque de animal, pois as mandíbulas dos carnívoros são feitos para prender a vítima com os caninos e a carne só é rasgada depois da morte da presa e com o uso da força. Os dentes responsáveis por cortar são os incisivos, que são subdesenvolvidos nos carnívoros.

Temos incisivos bem desenvolvidos. Morda uma maçã e veja o tipo de marca que você deixou: é esta marca que você estará procurando em uma vítima de ataque de mortos-vivos. A mordida humana pode ter uma pressão superior à de um golpe de karate.

Claro que esse não é o único meio de se infectar, pois na luta contra um agressor morto-vivo a vítima pode ter entrado em contato com fluidos corporais contaminados e estar infecta. O próximo passo, então, é encontrar marcas de apodrecimento irradiando a partir das feridas, com todas as características de um estado de decomposição, tais como descoloração ou marcas escuras e o cheiro característico de carniça.

Isso acontece porque ao se replicar o Solanum destrói as células no caminho, mas só até destruir o lobo frontal do cérebro. Após a morte da vítima, a taxa de decomposição cai muito, como visto no capítulo “O Vírus”. O humano infectado, se não morrer rapidamente devido à hemorragia, vai sofrer uma morte lenta, envenenado por Solanum, que provoca uma septicemia extremamente agressiva.

Algumas horas depois, com o cérebro completamente modificado pelo Solanum, o corpo da vítima vai se erguer para recomeçar o ciclo. É importante salientar que se trata do corpo e não da vítima do ataque e que tal corpo deve ser destruído e despojado corretamente.

O aspecto de um morto-vivo varia muito assim como variamos muito entre nós. Não existirão dois mortos absolutamente iguais, assim como não existem, de fato, gêmeos idênticos. Ainda assim, podemos destacar características comuns a todos eles.

Todos os mortos que andam o fazem muito devagar. Seus corpos têm rigor mortis num primeiro momento, como em qualquer cadáver, e depois que este rigor cessa a decomposição inicial, ainda que lenta, impede o morto-vivo de fazer movimentos muito bruscos, graciosos ou complexos. Sua pele tem perceptíveis livor mortis e algor mortis, seus olhos são esbranquiçados.

Ao detectar uma presa, o zumbi estenderá os braços em direção ao seu alvo, deixará a mandíbula escancarada e irá emitir um gemido característico, provocado pela contração do diafragma provocando uma passagem de ar pelas cordas vocais endurecidas. Ao se aproximar de uma vítima, o tom do gemido se altera, como se o morto-vivo estivesse excitado com a próxima refeição. O som é assustador para seres humanos e foi provado através de registros históricos que ficar ouvindo esse lamento por dias a fio pode levar à loucura. Provavelmente o gemido serve para alertar os outros mortos-vivos que estão ao redor da presença de presas, pois é relativamente fácil fugir um de necrófilo apenas.

Apesar de ter todos os sentidos amortecidos pelo apodrecimento o morto-vivo consegue localizar a presa com impressionante facilidade. Isso acontece porque, diferente de nós, que somos dependentes demais da visão para viver, os zumbis se utilizam de uma mistura de informações que captam do ambiente simultaneamente através dos cinco sentidos trabalhando em conjunto. Existe uma teoria de que os mortos-vivos sejam possuidores de uma espécie de sexto sentido que é excitado depois que o cérebro é modificado pelo Solanum, mas o mais provável é que eles investiguem tudo o que percebem, uma vez que não têm poder mental para decidir ignorar um som qualquer, por exemplo.

Se um morto-vivo segurar uma presa ele não a soltará até terminar de comer ou ser destruído. Ele não sente dor, não cansa e não tem medo. Só um movimento especial, uma forte pancada no pulso ou muita força o fará soltar, mas aí ele segurará novamente. O morto anda com as mãos estendidas para agarrar e impedir a fuga da sua próxima refeição. Como não temem nada, mortos-vivos não se defendem.

Além da falta de inteligência, os mortos-vivos têm três desvantagens que dever ser exploradas: lentidão, falta de coordenação e de regeneração.

Um morto que caminha o faz no máximo a um metro e meio por segundo, sendo o tamanho das pernas o principal fator. Só não se deixe cercar por eles. Não adiantará sair correndo a esmo, pois eles lhe escutarão e seguirão na direção do som, mesmo sem saber por que ou sem ver o que produz o barulho. Daí quando você cansar, todos os zumbis que o escutaram, durante o tempo que você correu, irão lhe cercar. O ideal é saber para onde vai e ir andando depressa, em silêncio.

A falta de coordenação faz com que os mortos-vivos não possam subir escadas verticais, cordas ou fazer qualquer movimento fino, como usar chaves em fechaduras, mas é possível que muitos deles, se acumulando do lado de fora de um muro subam uns por cima dos outros e ultrapassem os muros.

A cada vez que usamos os músculos, sofremos pequenas rupturas nas fibras musculares. A regeneração natural faz com que essas fibras engrossem e se tornem mais fortes. Um halterofilista de mais de cem quilos tem o mesmo número de fibras musculares de um nerd de cinqüenta quilos. Um morto-vivo sofre danos irreversíveis nessas fibras a cada vez que realiza qualquer ação e, uma vez que não pára nunca, fica cada vez mais fraco, lento e estabanado.

Uma vez que o cérebro é o motor, destruí-lo é o único modo de parar um cadáver reanimado pelo Solanum. Cuidado: uma cabeça decapitada ainda é capaz de morder!

Os morto-vivos nunca atacam uns aos outros, evitando esbarrar neles como evitam bater em mobília. Ninguém sabe como eles identificam uns aos outros evitando assim ataques inúteis, mas de fato o fazem. Não se pode, no entanto, se fingir de morto-vivo para passar despercebido por eles. Os mortos também não agem em grupo, mas como uma massa de indivíduos. Não há comportamento de matilha ou ataque coordenado, não há sinais ou linguagem. Todos atacam ao mesmo tempo porque querem a mesma coisa: comida.

quinta-feira, 2 de abril de 2009



Na enquete de março “O que te deixa nervoso?” apuramos que “Gente louca ou burra” aperreia 31% dos votantes. Se pudermos aceitar isso como uma amostragem aleatória inteiramente casualizada, representativa do resto dos brasileiros, podemos entender que aproximadamente um terço das pessoas detesta gente estúpida, burra, inconstante e abestalhada em geral.

Que bom que não sou só eu que me sinto assim. Acho ruim a intolerância, mas não consigo tolerar gente burra.

Claro que há diferença entre gente burra e gente ignorante. Trabalho atendendo o público na Fundação Vila Olímpica Danilo de Matos Areosa e sei que a maior parte das pessoas que não sabe porra nenhuma de nada é simplesmente ignorante, mas não tem nada de burra. Você explica como as coisas são uma vez e ela aprende.

Diga-se de passagem, se a ignorância for entendida como falta de saber, todos nós podemos ser ignorantes em um ou outro assunto. Se quisermos consertar isso é só nos inteirarmos de dada matéria. Já para ser burro basta falta de inteligência, o que normalmente nem é culpa da pessoa e nem esta pode fazer nada, mas eu os detesto mesmo assim. Por isso eu sei que é intolerância.

Não é bom ser intolerante, até porque geralmente somos intolerantes com coisas que não são culpa de ninguém. Em resumo, ser intolerante é um defeito seu, vá lá e combata isso.

Venho desenvolvendo uma pokerface para esses momentos em que me deparo com gente burra. Enquanto as pessoas me chateiam com demonstrações desenfreadas de estupidez humana, eu respiro fundo, sorrio e faço que sim com a cabeça. É um dos poucos momentos em que eu me permito ser falso, em nome do bom atentimento público. Quem me conhece bem sabe que eu faço questão de ser decente, mesmo para o meu prejuízo, mas vejo isso como piedade para com o pobre indigente mental. Ele vai embora logo e eu vou melhorando aos poucos.

Veja bem: as pessoas em geral ficam nervosas com muitas coisas tidas como sérias. Os exemplos da enquete foram assalto, seqüestro e mesmo fobias, como medo de baratas e ratos. O ser humano tem mesmo uma aversão natural a insetos que remonta uma época em que era difícil manter a comida longe deles. Mesmo assim, gente burra ou louca incomoda a grande maioria. Frente a isso, me pergunto se não é mais sério haver tanta gente burra no mundo...

...mas sabe como é: toda a maioria é burra!

quarta-feira, 1 de abril de 2009



Final de semana cheio de altos e baixos, mas que me ensinou o valor de certas coisas que eu já havia esquecido.

Sexta-feira fui levar as crianças para a casa da mãe deles com a Renata e o Yuri, dois bons amigos meus, e de lá fomos ao chão de estrelas, que eu havia conhecido uma semana antes. Lá foi mais ou menos como da última vez: o samba não me incomodou, pois a conversa atraiu mais a atenção do que qualquer coisa. Tentamos jogar sinuca, mas uma churrasqueira atrapalhou o jogo com o calor e a fumaça e terminamos capitulando.

Enquanto eu estava lá começaram a me ocorrer pensamentos que me entristeceram e não comentei com ninguém para não arrastar meus problemas para o centro do grupo, fiquei um pouco deprimido, mas procurava me ocupar conversando. Pouco tempo depois chegou o Brother Flávio com seus brothers, mais ou menos a metade do grupo que eu vi da última vez. Deu para dar boas risadas agora com um grupo maior e de amigos mais variados, e sempre é bom fazer apresentações ou verificar que os amigos já se conheciam de outros carnavais.

Só que saindo de lá a semana insone e a tristeza cobraram seu preço e recomecei a divagar. Lembrava principalmente de gente conhecida que havia me decepcionado de determinadas maneiras insuspeitas por este que escreve e que me faziam pensar em como é complicado gostar dos outros, pois amigos também te traem e isso machuca mais que tudo. Fiquei tão quieto que os amigos no carro começaram a tentar mexer comigo, entre brincadeiras e sacodes mais diretos. Terminamos indo parar no Porão do Alemão.

Lá no Porão, que estava incrivelmente lotado, ouvi músicas muito boas, reencontrei amigos que há muito tempo não via e gente de quem gosto muito, mas que só encontro por lá (e raramente). Havia um grupo de jovens de 20 anos de quem eu gosto muito lá na frente do palco, que estava sem rodinha devido à multidão no local, entre os quais destaco a Sister Talita, uma amiga sempre presente desde que a conheci e que vejo quase todos os dias. Lá estavam seu namorado, sua irmã Rafaela, Sister Ioio e muitos outros. Havia até um cara que era tão parecido comigo que resolveram tirar uma foto da gente, um do lado do outro, para provar que existe mais de mim por aí...

Ao lado do palco havia um monte de jornalistas e uma menina que eu não via há mais de dez anos festejava seu aniversário lá. A Suzana estava felicíssima e me abraçou no ato. Muitos levam um tempo para me reconhecer, pois dez anos atrás eu não tinha barba e possuía uma peleira de sessenta centímetros. Lá ainda estavam o Eric Porão, Nhornhe, Rafael e muitos outros brothers.

Tive um insight. Costumamos acreditar no “oito ou oitenta”, que o mundo é feito de uma dicotomia e que tudo é preto ou branco, sem perceber que há tons de cinza. Ninguém é todo mau ou bom demais. No pouco tempo em que estive vivendo esta vida mortal, conheci gente de todos os tipos, cores, tamanhos e formatos. Me toquei de que as pessoas são diversas e que ainda assim vale a pena ser legal e confiar, que existe muito gente boa e que mesmo gente má pode ter simpatia por você. Percebi novamente que tenho amigos que não me esquecem nem com o passar de muitos anos e fui ficando muito feliz com isso, ao som do bom e velho Heavy Metal. Voltei renovado para a companhia da Sister Renata e do Brother Yuri. Logo fomos pra casa, que o Brother tinha de viajar para Coari.

No dia seguinte eu pude dormir bem e me preparar para o aniversário da Linny. Eu iria com a Talita que me buscaria mais tarde, perto das 19:00 horas. Recebi a visita do Papai, que terminou me levando à sua casa que é um bocado longe, no São Lázaro, porque a Internet não estava rolando por lá e ele queria ver se eu não descobria o porquê. Descobri: o modem não estava instalado.

Arrumei isso e cheguei tarde à casa da Mamma. Pensei que havia perdido a carona ou coisa assim, mas devido a problemas técnicos a Talita não pôde vir me pegar no hora, o que terminou sendo bom já que eu não estaria no local combinado. Depois de 30 minutos de Hora do Planeta chega a carona e vou-me embora pra Cantina Ghiotto

Lá foi muito bom pelos amigos reunidos, por poder prestar homenagens à aniversariante, mãe do BlogMao, pela pizza de capuccino que eu achei ótima e por todo o riso. Foi muito bom poder apresentar a Talita pro resto do pessoal. Uma coisa que me faz bem é fazer a ponte entre amigos.

Infelizmente os garçons deixaram a mim e a Talita pra lá. Mesmo água foi difícil conseguir. Acho que eles viam um monte de gente conversando e de pratos vazios e pensavam que não havia mais gente querendo comer. Tentaram me tirar o prato duas vezes!

De lá fomos para um bar chamado Kabana (acho). Havia um telão tocando rock brasileiro dos anos 80, que eu detesto, e que parou por um tempo e depois reiniciou com os mesmos clipes. Bebi cerveja em homenagem à Linny e conversei que só com o Brenno Hayden (não, não é homenagem ao Kombatente), Daniel Martins, Andra, Nathaly e Talita. Em um dado momento a Renata apareceu e ficou “tricotando” com as meninas, tipo a Yara, na outra ponta. Depois de muito beber (dividia o copo com a Talita, que iria dirigir) e me divertir com o pessoal, saí fora com a amiga, que me largou no Porão. O Porão estava muito ruim, bem diferente do dia anterior. Insisti e não fui recompensado com mais que uma música realmente boa. Parti às 3:30 horas com a sensação de que deveria ter ficado em casa, mas se eu não fosse ficaria com a sensação de que perdi alguma coisa.

O domingo foi um dia de computador. Fui pegar as crianças à noite com o Papai e foi só. Na próxima sexta-feira em diante haverá shows no bar dos Hell’s Angels, que irá abrir para o público em geral e as meninas não precisam pagar.

Fiquem espertos: hoje é Dia da Mentira!