quinta-feira, 9 de maio de 2013



Há pouco tempo eu fiquei realmente chateado com o fato que eu passo mais tempo esperando ônibus do que efetivamente sendo transportado por eles. Até que os ônibus que eu utilizo não são ruins, pois são razoavelmente limpos, não vivem lotados, normalmente eu viajo sentado a maior parte do tempo e me levam para bem próximo de onde eu quero ir, mas há dias em que eles demoram muito, como nos finais de semana, em que posso esperar até uma hora num ponto de ônibus antes de subir naquele transporte público que me permitirá visitar meus filhos mais velhos.

Nos domingos é mais ou menos assim: saio de casa e chego ao ponto de ônibus em menos de dez minutos, mas aí espero até uma hora para que um dos ônibus das duas linhas que me servem passem por lá. Depois disso, como ônibus não vão direto para lá, tenho de passear por pequenas ruas em diversos bairros antes de desembarcar, o que levará mais uns quarenta minutos. Daí caminho mais uns quinze minutos até a casa da mãe deles, onde moram atualmente, e daí mais quinze minutos com eles até o ponto de ônibus que nos levará a algum lugar, mais trinta minutos esperando o ônibus chegar, seguido do tempo da viagem, que pode variar muito e nos resta pouco tempo juntos, antes que escureça e tenhamos de fazer toda a romaria de volta.

Lembre-se que depois que eu os deixo ainda levo mais umas duas horas para chegar em casa, entre caminhar para o ponto de ônibus (15 min.), a espera do ônibus (até 60 min.), a viagem propriamente dita (uns 40 min.) e a caminhada até em casa entre (de 5 a 15 min.).

Daí eu pus na minha cabeça que iria comprar um carro e FODA-SE

Meti na minha cabeça que eu conseguiria esse carro de qualquer jeito. Eu iria deixar de pagar à todos e empenhar metade da minha alma para comprar um carro todo velho, com marcas de ferrugem por todos os lados, coisas quebradas por dentro, mau-cheiro, risco de explosão, mas conseguiria a porra do carro.

Com ódio no coração eu deixei caronas de lado para curtir o sofrimento nos ônibus, numa espécie de auto-penitência que me levaria adiante nos meus planos de aquisição do automóvel. Cheguei mesmo a dizer para a minha esposa algo como “espero que você me apóie nessa, porque vou comprar o carro de qualquer jeito, deixando de pagar qualquer outra coisa num mês que eu achar que posso meter a cara”. Ela, claro, me disse que eu deveria pensar melhor a respeito.

Daí eu comecei a pensar melhor a respeito.

Descobri com uma Gerente do Banco Santander que mesmo com restrições de crédito eu poderia adquirir um automóvel. Tentei financiar através deles, mas não consegui por falta de tempo minha e deles.

Eis que estou na fila do Carrefour no sábado 27.04.13 quando recebo uma mensagem no celular. Pensando ser a Nilsandra me informando de algo a mais para comprar olhei... e era uma mensagem da Chevrolet sobre crédito pré-aprovado com parcelas abaixo de R$ 400,00.

Liguei, comecei a resolver os detalhes na fila e terminei em casa, com o vendedor me retornando a ligação num horário preestabelecido por mim. Em resumo, fiz um consórcio. Poderia ter uma carta de crédito de até R$ 45.000,00, mas como a parcela iria ficar cara pra mim, fiz a opção que recebi no celular. A primeira parcela já foi paga com desconto no meu cartão de crédito.

Desenvolvi um novo mantra baseado na minha experiência. Varia um pouco a cada vez que recito, mas é mais ou menos assim:

“Pode ser que demore a vir, mas pelo menos já comecei a pagar meu carro.

Pode ser que não tenha grandes coisas, mas pelo menos já comecei a pagar meu carro.

Pode ser que me deixe mais pobre, mas pelo menos já comecei a pagar meu carro.

Pode ser que eu morra antes de receber, mas pelo menos já comecei a pagar meu carro.

Pode ser que eu bata essa porra na primeira curva, mas pelo menos já comecei a pagar meu carro.

Foda-se! Pelo menos já comecei a pagar meu carro.”

Post Scriptum: Foda-se = Amém!

quarta-feira, 8 de maio de 2013


Indicação de site da semana: gargalhando.com

O site reúne só imagens engraçadas da Internet. Se não há muita profundidade, compensa com paradas realmente engraçadas. Há placas, GIFs, links e imagens gerais que irão certamente diminuir a sua produtividade no trabalho. Há mais de mil páginas para se ver!

Veja algumas papagaiadas abaixo e, se interessar, visite o gargalhando.com

 





 


















terça-feira, 7 de maio de 2013




Dia desses vi no Yahoo! Respostas uma pergunta mais ou menos assim:

“Por que na categoria da Espiritualidade e religiosidade só a perguntas contra os evangélicos? Por que eu só vejo perguntas contra evangélicos? O que eles fizeram contra vocês? O que vocês tem contra eles? Por que eles são a única religião no mundo que é perseguida por todos?”

Fala sério! Com perguntas assim, frente a uma ignorância assim, respondi assim:

“Isso não é verdade. Há muitas perguntas que nada tem a ver com evangélicos ou que não são diretamente relacionadas a estes. Além disso, se fala muito mal de outras religiões e dizer que evangélicos são os únicos perseguidos por aqui é bobagem. O primeiro link é uma pergunta no mesmo dia em que você postou e que é dessa categoria e que não é uma agressão direta aos evangélicos.

Agora: muitos evangélicos querem dizer que a religião dos outros é "culto". Quem inventou isso foram os pastores do Brasil que procuram enaltecer a própria religião diminuindo a religião dos outros. O pior é que não há um fundamento no que eles dizem. Por isso posso dizer que há muitas religiões sendo "perseguidas" por aqui e não exclusivamente o Protestantismo.

Eu não tenho religião. Sou deísta (creio em Deus, mas não religião) e não estou sendo tendencioso com a religião de ninguém porque desgosto igualmente de todas!

Evangélicos, por exemplo, dizem que bruxaria, umbanda e satanismo são "cultos", mas são na realidade religiões reconhecidas mundialmente e os evangélicos sequer se dão ao trabalho de conhecer o suficiente antes de falar mal direto. Se é a fé de alguém, evangélico nenhum deveria falar mal, quanto mais falar sem saber.

Os links que citarei a seguir comprovam o que eu falo e são todos wikipédia, enciclopédia reconhecida mundialmente.

Por exemplo: a bruxaria (2º link) é considerada a religião mais antiga do mundo. Eles não adoram ao diabo. Eles acreditam em diversos deuses menores, mas principalmente à uma Deusa e as bases de suas crenças são o pensamento livre e a comunião com a natureza.

Outro exemplo: A Umbanda (3º link) é religião que nasceu no Brasil e foi perseguida desde o início. Macumba é um termo pejorativo dado por bispos do Brasil. Macumba é um instrumento musical utilizado por negros na época em que inventaram isso e como "todo negro é macumbeiro" (tocador de macumba) inventaram que é tudo a mesma coisa: umbanda, quimbanda, candomblé... e são diversas religiões. Se baseia em uma série de preceitos decentes entre os quais cito: 1 a existência de uma fonte criadora universal, um Deus supremo; 2 o compromisso com "a manifestação do espírito para a caridade" (ajuda ao próximo não ser retribuída em dinheiro ou valor de qualquer espécie). 3 Serviço social constante nos centros. 4 O não sacrifício de animais. Como vê, dizer que galinha morta na esquina, com farofa do lado é "macumba" é um erro terrível e mesmo preconceito. Não adoram ao diabo.

Último exemplo: o Satanismo (4º link) é um grupo de religiões composto por muitas crenças ideológicas e filosóficas e fenômenos sociais. As características comuns entre elas incluem associação simbólica com, admiração pelo personagem de e até veneração de Satanás ou de outras figuras rebeldes similares, como Prometeu, e figuras libertadoras. Lá eles adoram ao Diabo, mas este é normalmente uma alegoria (ou seja, não se considera como real), um símbolo de individualismo, livre-arbítrio, sabedoria e iluminação.

É por esses e outras que evangélicos são perseguidos, por sua visão simplista. Mas como pude demonstrar, evangélicos também "perseguem" as religiões dos outros. Ainda poderia falar de muitas outras, como o Islamismo e o Espiritismo, igualmente repudiadas por muitos no Brasil e em muitos lugares no mundo, mas especialmente perseguidas pelos evangélicos em nosso país.”


Os links de que falei:





Claro que eu já defendi o ponto de vista dos evangélicos aqui, mas não dá para aceitar alguém dizendo que os protestantes são os únicos perseguidos, né?

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Continuação daquele roteiro que eu gostaria de ver tornar-se um filme. Perdeu a primeira parte? Leia aqui.



JUÍZO FINAL

Parte 2º - Rancho.

Não demorou muito para as provisões acabarem. O pessoal da casa nunca reclamou de terem de dividir sua comida com Luiz, que de sua parte procurava comer o mínimo possível. A família pregava a caridade cristã e isso os levou a salvá-lo em primeiro lugar.

Agora, sem comida há doze horas e bebendo água da chuva há muitos dias, precisam desesperadamente sair. A morte horrível do vizinho mostrou a eles que não poderia fazer barulho, mas com certeza iriam tentar chegar ao DB da Cidade Nova no carro da família, um antigo caravan opala diplomata comodoro wagon weekend. O carro era bem grande e funcionava bem, podia carregar a todos dali. Restava saber se as ruas, cheias mortos-vivos e carros empacados num engarrafamento eterno, iriam dar passagem. Era o carro de estimação de Ismael.

Sua esposa, Maria Raimunda, teve uma idéia. Iriam cobrir a saída com um barulho na outra rua e daí sairiam de carro, procurando ruas pequenas do bairro. Mas fazer barulho com o quê? O ideal seria um rojão ou coisa assim, mas quem sairia para pegar um desses?

Todos olharam para Luiz, que até então não tinha uma função clara na casa. Podia ter comido pouco, mas não trouxe nenhuma comida e agora havia um serviço que ninguém da família queria assumir.

“Ta bom. Eu vou.”

Lhe explicaram que o mercadinho Souza era perto e que lá sempre havia fogos de artifício. Ele sairia de noite, pulando o muro de trás, e tentaria entrar na casa do Seu Souza e de lá para o mercadinho, que tinha uma porta de enrolar em aço o que inviabilizava o acesso daí. Às sete da noite lhe deram um pedaço grosso de vergalhão para arrombar as portas que precisasse transpor, a mochila da Barbie de Williany, uma das filhas de Ismael, e lá se foi Luiz para a sua missão quase suicida.

A rua estava com alguns dos monstros perambulando por lá, mas logo ele viu o mercadinho e seguiu pra lá. Teve um instante de dúvida sobre qual era a casa contígua ao mercadinho, mas foi apenas um instante. Ao pular o portão, seu pé acertou uma folha de alumínio que estava mal pregada nele produzindo um grande barulho. Ficou preocupadíssimo que esse barulho pudesse atrair os zumbis, mas logo esse medo deu lugar à pânico quando viu um grande pastor alemão correndo em sua direção. Odiava cachorros e não tinha condições de enfrentar um bicho desses. Pensava nisso enquanto pulava de volta para rua, fazendo muito mais barulho no portão e atraindo todos os mortos-vivos do local. O cachorro ladrava furiosamente e batia contra a folha de alumínio. Isso desviou a atenção de parte dos monstros, lerdos demais para lhe alcançarem antes que pulasse o muro do Ismael, que o esperava do outro lado.

- Pegou?
- Não deu... Porque não me falou do cachorro?
- Pensei que o cachorro havia morrido.
- O dono dele ainda deve estar por lá, mas esse barulho todo já atraiu os mortos para a outra rua. Podemos ir?
- Não. À noite é bom para se esconder, mas precisamos ver bem para não terminarmos presos na estrada. Alem disso, acho que o DB vai estar todo escuro e não temos como fazer assim. Tem de ser amanhã de manhã.
- Tá, mas vamos fazer mais barulho pela manhã.

Era simplesmente impossível dormir. Todos sabiam que o dia traria uma situação que era evitada desde o início: sair com os monstros lá fora. Dona Maria Antônia, mãe de Maria Raimunda, passou a noite em vigília, rezando. Luiz não podia acreditar em gente que pensava que rezar adiantaria. Quantos até ali não rezaram fervorosamente para que tudo aquilo acabasse? Quantos não pediram para viver e foram devorados vivos? Balançando negativamente a cabeça, tentou ao menos descansar deitado o resto da noite. Não parava de pensar, no entanto, e isso o esgotava. E se o lugar estiver tomado por aquelas coisas? E se o carro pregar no meio do caminho? E se não puderem voltar pra casa? Todos os seus parentes e amigos haviam morrido? Quem estaria vivo? Seu irmão mais velho talvez, pois assistira a todos os filmes possíveis. E se a comida estiver toda estragada no supermercado? E se outras pessoas tiveram a mesma idéia antes e pegaram tudo?   

E se os monstros começarem a subir pelo muro de trás?

Levantou-se no ato. Tinha uma fria certeza de que olharia pela janela de trás e veria diversos monstros vagando no quintal, mas ao olhar viu apenas Ismael sentado ao lado de sua Maria, vigiando o muro sob uma bela noite de Lua cheia.

No outro dia, sem nem mesmo bolacha de motor para comer, se prepararam para sair. A família toda entrou no carro, com exceção dos homens. Ismael foi com a panela mais barulhenta e uma grande colher de metal e batucou forte e rápido com as duas mãos por cima do muro de trás. Se elevou o som do gemido dos mortos-vivos, que nunca parava, mas que baixa já era habitual. Correu para o carro quando achou que estava na hora, Luiz abriu o portão e esperou o carro sair antes de fechá-lo novamente. No carro sentou-se ao lado de Ismael. As Marias iam atrás com as meninas Williany e Anny Vitória, que olhavam chorando para a casa que se distanciava.

As ruas que o motorista escolheu eram reconfortantemente desimpedidas. O carro deslizava mansamente. Viram muitos outros monstros e percebiam que começavam a perseguir lentamente o carro, mas sabiam que não seriam alcançados e isso também era reconfortante. Mesmo assim não faziam som, ninguém conversava, apenas olhavam a coleção de aberrações desfilando principalmente nas calçadas. Era como se os mortos se lembrassem que deveriam andar por calçadas nas ruas outrora movimentadas. Em Manaus, o costume de andar nas ruas só valia para as ruas menores, nos bairros. Lá os zumbis andavam por todos os lugares.

O cheiro nas ruas era revoltante e resolveram manter os vidros levantados, mesmo com o calor. Por sorte, era época das chuvas e não estava realmente quente. Se fosse em agosto a coisa seria diferente.

Chegaram ao DB sem grandes problemas, mas o estacionamento estava cheio de mortos-vivos. Havia um plano de contingência para isso. Luiz, mais jovem, deveria guiar a família para a segurança pela área de carga e descarga, erguendo as pessoas se fosse necessário passar por algum basculante e Ismael iria atrair a atenção dos monstros para outro lado. O problema é que havia tantos monstros que seria impossível sequer chegarem perto da área de carga e descarga à pé. Na verdade, os mortos já haviam percebido o carro e convergiam inexoravelmente em direção ao opala, por todos os lados.

Subitamente Ismael pisou fundo no acelerador.

- O que está fazendo? Perguntou Luiz.
- Precisamos entrar. Não temos pra onde ir e precisamos comer. Não dá pra voltar assim e precisamos de espaço.

Fazendo o máximo de barulho o carro rodava loucamente no posto de gasolina contíguo ao Hiper DB da Cidade Nova. Quando havia monstros demais, quando ficou claro que eles iriam formar uma avalanche podre sobre o carro, Ismael deu ré retornando para rua e daí voou para a carga e descarga. Graças à Deus opalas são muito possantes e logo estavam no lugar que queriam, mas ainda não estavam à salvo. Todos saíram do transporte e uma a um subiram no capô do caravan, com Luiz e Ismael erguendo as meninas para entrarem por uma janela alta. Faziam isso ao mesmo tempo em que chutavam as cabeças dos desgraçados que se aproximavam dele. Em um dado momento, uma novidade terrível se apresentou quando um morto-vivo apareceu correndo e gritando de forma completamente diferente dos demais. Esse se abraçou nas pernas de Ismael, derrubando-o, ao mesmo tempo em que afundava os dentes na coxa esquerda dele. Ismael caiu gritando, mais de medo do que de dor e, no meio de sua agonia, olhou para Luiz e disse “cuide delas”.

Luiz entrou depois de com muito esforço empurrar Dona Maria Antônia. Lá dentro várias pessoas estavam lhe esperando. Alguns dos homens fortes lhe levantaram do chão e disseram apenas “vamos”.

Pra onde?

CONTINUA SEMANA QUE VEM.

sexta-feira, 3 de maio de 2013



Sou deísta, mas gosto de estudar religião. Meu intuito não é ofender religião de ninguém, até porque acho todas muito parecidas.

Há diferenças, no entanto. Principalmente no que concerne ao Inferno. Vou falar de algumas das mais conhecidas.

A pergunta é mais complicada do que parece, se levarmos em consideração que não há religião certa e que elas não concordam umas com as outras em tudo...

Para um católico, um evangélico e um islamita, Deus não manda ninguém para o Inferno, pois deu livre-arbítrio para a pessoa escolher seguir - ou não - os passos ensinados nas escrituras para ir ao Céu. Ir ao Inferno é, portanto, consequência de más escolhas de cada um. Mesmo os fiéis dessas religiões sabem que é muito difícil ir ao Céu, pois é preciso ser santo para tal. Muitos fiéis realmente acreditam ser santos. No caso do Islamismo, alguns continuarão no Inferno para sempre (os que se diziam muçulmanos mas não o eram de fato) enquanto os demais irão ao Paraíso em algum momento. Mais de 20% da população mundial é islamita, atualmente.

Para um judeu, nem mesmo se acredita no Inferno. O Bíblia deles (Tanakh) não fala sobre vida após a morte e por isso cada um tem sua interpretação. Foram influenciados pela religião dos outros há alguns séculos atrás e por isso a maioria acredita na ressurreição, mas há os que acreditam que a alma morre (!!!). Não há uniformidade quanto a crença de vida após morte.

Um espírita não acredita em Céu ou Inferno, mas que nós vamos melhorando continuamente, desencarnando (morrendo) e reencarnando (renascendo) através de uma vida infinita. O que entendemos por "vida" é apenas uma existência, pois a carne é como uma roupa e a vida "mesmo" é do espírito, que não morre. Um dia o espírito se torna espírito puro e daí para de reencarnar. Mais uma coisa: Allan Kardec, em "Obras Póstumas", propõe que o espiritismo seja uma doutrina natural, passível de ser interpretada ou não como religião pelos homens, isto é, capaz de colocar o homem – ou o espírito – diretamente em relação com Deus.

Para um hindu ocorre um lance similar ao que crê o espírita: o ciclo de ação, reação, nascimento, morte e renascimento é um contínuo, chamado de samsara. O Bagavadguitá (a Bíblia deles) afirma que: “Assim como uma pessoa veste roupas novas e joga fora as roupas antigas e rasgadas, uma alma encarnada entra em novos corpos materiais, abandonando os antigos. (B.G. 2:22). A samsara dá prazeres efêmeros, mas é possível assegurar felicidade e paz duradouras depois de diversas reencarnações, pois um atman (espírito evoluído) eventualmente procura a união com o espírito cósmico (Brâman/Paramatman). Mas eles crêem na metempsicose, que é a reencarnação em corpos de animais não-racionais além de corpos humanos.

No budismo acredita-se que existem 31 reinos entre os quais alguns infernos, frios e quentes. Mas os infernos budistas não são lugares de permanência eterna nem o renascimento nesse local é o resultado de um castigo divino. Há seres que o habitam, que libertam-se dele assim que o mau karma que os conduziu ali se esgota.

Então veja: Deus não só não manda ninguém ao Inferno, como o Inferno pode não existir, ser quente, frio, ter passagem só de ida, de ida e volta e por aí vai, dependendo do que você crê. Lembrabndo sempre que estou falando só de umas poucas religiões...

Como deísta acredito que Deus criou e regula o Universo, mas não se mete na vida dos mortais. Não há concenso na vida após a morte entre os deístas (uma vez que não temos religião, não temos clérigos ou livros sobre o assunto), mas particularmente acredito que a gente continua através da reencarnação (a que inclui metempsicose), passando algum tempo em mundos espirituais muito similares aos nossos.

E você? Acredita em quê? Comenta aí!

quinta-feira, 2 de maio de 2013


Indicação de site da semana: amultiverse.com

Jonathan Rosenberg diz em sua descrição no Twitter “Eu escrevo e desenho meus quadrinhos Cenas de um Multiverso e Cabras”. Há diversos universos extremamente diferentes entre si nos seus desenhos, mas todos são usados para exemplificar – e criticar – coisas que acontecem no nosso cotidiano. As cenas são escatológicas e por isso mesmo muito engraçadas, mas a crítica é muito pertinente ao espírito humano. Por isso mesmo, não importa se você é de Nova York (onde vive o autor), do Brasil ou de Cornworld. A história tem a ver contigo ou com alguém que você conhece. A familiaridade é marcante.

Separei abaixo alguma coisa dos universos que visitei. Caso interesse a você, visite amultiverse.com

Post Scriptum: CLARO que eu gostei do zumbi peidando!

quarta-feira, 1 de maio de 2013



Como dito antes, tenho visitado muito o Yahoo Respostas e tenho visto muita gente ignorante, grossa e preconceituosa, principalmente com a religião dos outros. Por ser deísta, tenho uma opinião formada sobre as religiões que, caso compartilhada por todos resolveria o problema: religiões são todas muito parecidas.

Apesar de a gente entender que diferente é bom e que opinião diversa é útil, falar merda é sempre ruim. Por “da gente” entendam “de eu”.

Dia desses fiquei chateado demais por causa das loucuras que um homem escreveu. Ele não só dizia que “macumba” e outros cultos cometiam assassinatos, como ele tentava embasar seu argumento em livros que a gente teria de ir comprar (garantindo verba para a sua igreja) para confirmar. Os livros, por si só, não valiam como fundamento de porra nenhuma.

Resolvi dar umas orientações para ele e repasso para vocês. Se você é um cara esclarecido, se arme com os argumentos que tenho aqui, leia os links, para poder discutir confortavelmente com os ignorantes. Se você é um ignorante, leia tudo duas ou três vezes.

PRIMEIRO: Divulgue a prova disso que você falou (que estão cometendo assassinatos em terreiros de “macumba”) ou NINGUÉM vai te levar a sério.

SEGUNDO: Macumbeiro é quem toca macumba, um instrumento musical. O primeiro link no espaço reservado às fontes (lá embaixo) tem uma foto desse instrumento musical.

TERCEIRO: Há diversas religiões que fazem sacrifícios de animais, mas a Umbanda (que é o que você chama de macumba) não faz isso. O trecho abaixo tirei da wikipédia, fonte confiável, e o link também se encontra mais abaixo, nas fontes (é o 2º link).

“A Umbanda não recorre aos sacrifícios de animais para assentamentos vibratórios dos orixás, tampouco realiza ritos de iniciação para fortalecer o tônus mediúnico com sangue. Não tem nessa prática legítima de outros cultos, recursos de oferta às divindades. A fé é o principal fundamento religioso da Umbanda, assim como em outras religiões.
Suas oferendas se diferenciam das demais por serem isentas de sacrifícios de animais pelo fato de preconizarem o amor universal e, acima de tudo, o exercício da caridade como reverência e troca energética junto aos orixás e seus enviados, os guias espirituais. É incompatível ceifar uma vida e fazer a caridade, que é a essência do praticar amoroso que norteia a Umbanda.”

QUARTO: É preconceito dizer que é tudo a mesma coisa: candomblé, umbanda, bruxaria e satanismo. Bruxaria é considerada religião e não adoram ao Diabo. Nem os satanistas modernos adoram ao Diabo. Foram os bispos do Brasil quem inventaram que isso é culto. Dizer que é culto é tentar diminuir a religião dos outros para fazer a própria religião mais importante. Também há um link sobre isso que falei dos pastores (do Mundo Estranho, parte da Superinteressante, revista científica, é o 3º link) e um 4º link mostrando na wikipédia que a Bruxaria é a religião mais antiga do mundo.

Acredito em Deus e não tenho religião. Sou deísta! Assim, não estou defendendo a religião de ninguém. Mas detesto ignorância e estou aqui para tentar te abrir os olhos. Provavelmente você ouviu isso de algum intolerante que não te mostrou nenhuma prova do que ele está falando. Eu também posso te dizer que conheço pessoas que são da umbanda e que não tem nada a ver com assassinatos, abortos ou culto ao Diabo, mas você escolhe ouvir quem quiser.

A diferença é que eu defendo meus argumentos com algum embasamento.

1º Se assim fossem os “macumbeiros”, não acha que teríamos notícias disso o tempo todo no Jornal Nacional ou comentários SÉRIOS nas ruas, nos trabalhos?

2º Mesmo que isso tivesse acontecido em algum lugar, não quer dizer que aconteça em todos os terreiros. A maior parte da população carcerária é cristã e isso não quer dizer que cristãos são bandidos.

Pense com a sua cabeça, não se deixe levar pelo que alguém lhe disse. Você pode não concordar com o que faz outra pessoa, com a opção sexual, com a religião, com as roupas, mas tem de respeitar.